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Vista da exposição

Instrumento para uma fantasia. Marretas de 1,5 kg com marcas e volumes de dentes humanos. Ferro fundido, tinta automotiva e madeira. 14 x 30 x 5 cm cada. 2016. Edição de 3 + PA

Manual de sobrevivência. Sangue do artista sobre tela. 100 x 150 cm. 2016. Coleção Particular.

Dano e Excesso. Sangue do artista sobre tela. 150 x 200 cm. 2016

Corpus e Labore. Sangue do artista sobre tela. 150 x 200 cm. 2016

Concussão (Lapsus e Nauseam)
Sangue da mãe do artista sobre tela. 150 x 100 cm. 2016

“Dano e Excesso” - 2016


Por Wagner Barja

Águas de rebelião passam por baixo da ponte que leva à obra de Paul Setúbal.

“A margem também esta dentro do rio”.¹ – O corpo é a margem, lugar insólito onde se situa a ação de toda a obra desse artista insatisfeito. Ele fará significar o grave tom de sua narrativa, ao implodir a ordem linear das coisas. Pratica-se aqui a desordem do “Eu”, para dar vez ao surgimento do gesto primal.

Arte ou ritual? O corpo em oferenda ao deus da criação, na experiência e no sacrifício: expõe-se, expia-se e esvai-se na forte carga simbólica do ato. Na prática do autoflagelo o artista corta, ora para desenhar com o próprio sangue, ora para agregar bravura na urgência da linguagem.

O uso do “Eu” como suporte da manifestação, remete aos sacrifícios de práticas ancestrais, nas quais o homem adorou seus deuses e a eles ofertou a carne.

Na carne/objeto as cicatrizes são desenhos, os registros de uma linguagem limítrofe ao desfalecimento.

Excesso e dano.

O inconsciente insinua mensagens por meio de uma arte revelada nos sentidos. Eles pulsam e se exteriorizam na natureza ontológica dos objetos, aqui já impregnados pelo artista de memória e espírito.

(1) Rogério Duarte Guimarães